terça-feira, 15 de dezembro de 2009

CREPÚSCULO NA VISÃO DE EDWARD - CAP 1 - PARTE DA AULA

Sol da Meia Noite (crepúsculo na visão de Edward) Stephenie Meyer
É enooorme.. mas vale a pena ler!!!

A sala foi se enchendo lentamente enquanto eles voltavam do almoço. Eu me inclinei na minha cadeira e esperei o tempo passar. De novo, eu desejei ser capaz de dormir.
Como eu estava pensando nela, quando Angela Weber acompanhou a garota nova pela porta, o nome dela chamou minha atenção.
Bella parece ser tão tímida quanto eu. Eu aposto que hoje foi muito difícil pra ela. Eu queria poder dizer alguma coisa… Mas provavelmente eu só ia parecer uma estúpida…
Isso! Mike Newton se virou em sua cadeira pra observar a entrada da garota.
Ainda, do lugar onde Bella estava, nada. O espaço vazio onde os pensamentos dela deveriam estar me deixou irritado e enervado.
Ela se aproximou, passando pelo corredor ao meu lado para chegar à mesa do professor.
Pobre garota; o lugar ao meu lado era o único que estava vazio.
Automaticamente eu limpei aquele que seria o lado dela da mesa, colocando os meus livros numa pilha. Eu duvidava que ela fosse se sentir muito confortável aqui. Ela teria que agüentar um longo semestre – nessa aula, pelo menos. Talvez, no entanto, me sentando ao lado dela, eu fosse capaz de desvendar os seus segredos… não que eu já tivesse precisado de tanta proximidade antes… não que eu fosse encontrar alguma coisa que valesse a pena escutar…
Bella Swan caminhou para o fluxo do ar aquecido que soprava na minha direção do aquecedor.

O cheiro dela me atingiu como uma bola, como um bastão de jogo. Não há nenhuma imagem violenta o suficiente para encapsular a força do que aconteceu comigo naquele momento.
Naquele instante, eu não era nada nem perto do humano que um dia eu fui, nenhum traço da humanidade na qual eu estive tentando me esconder.
Eu era um predador. E ela era a minha presa. Não havia nada mais nesse mundo além desse verdade.
Não havia uma sala lotada de testemunhas – na minha cabeça eles já eram uma avaria colateral. O mistério dos pensamentos dela estava esquecido. Os pensamentos dela não significavam nada, ela não iria passar muito mais tempo pensando.
Eu era um vampiro e ela era o sangue mais doce que eu havia cheirado em oitenta anos.
Eu nunca imaginei que um cheiro assim pudesse existir. Se eu soubesse que existia, eu já teria saído procurando há muito tempo. Eu teria vasculhado o planeta por ela. Eu podia imaginar o sabor…
A sede queimou a minha garganta como fogo. Minha boca estava torrada e desidratada. O fluxo fresco de veneno não fez nada para dissipar essa sensação. Meu estômago revirou com o fome que era um eco da sede. Meus músculos se contraíam e descontraíam.
Nem um segundo havia se passado. Ela ainda estava andando no mesmo passo que a havia colocado no vento em minha direção.
Enquanto os pés dela tocavam o chão, seus olhos escorregaram na minha direção. Um movimento que ela claramente estava esperando que fosse furtivo. O olhar dela encontrou o meu, e eu me vi refletido no grande espelho dos seus olhos.
O choque pelo rosto que eu vi lá salvou a vida dela por mais alguns momentos. Ela não facilitou as coisas. Quando ela viu a expressão no meu rosto, o sangue apareceu nas bochechas dela de novo, deixando a pele dele com a cor mais deliciosa que eu já havia visto. O cheiro era uma grossa neblina no meu cérebro. Eu mal conseguia pensar através dela.
Meus pensamentos se enfureceram, resistindo ao controle, incoerentes.
Agora ela caminhava mais rapidamente, como se ela entendesse que precisava escapar. A pressa dela a deixou desastrada – ela tropeçou e se inclinou para a frente, quase caindo na garota que se sentava na minha frente. Vulnerável, fraca. Até mais que o normal para um humano.

Eu tentei me concentrar no rosto que havia visto nos olhos dela, um rosto que eu reconhecia com nojo. O rosto do monstro em mim – o rosto que eu havia afastado com décadas de esforço e disciplina inflexível. Como ele voltara à superfície com facilidade agora!
O cheiro me invadiu novamente, ferindo os meus pensamentos e quase me fazendo pular do meu lugar.
Não.
Minha mão se agarrou à beirada da mesa enquanto eu tentava me segurar na cadeira.
A madeira não ajudou na tarefa. Minha mão quebrou a estrutura e escapuliu, cheia de restos de fuligem, deixando a marca dos meus dedos cravadas na madeira que restou.
Destruir as provas. Essa era a regra fundamental.
Eu rapidamente pulverizei as beiradas com as pontas dos dedos, sem deixar nada além de um buraco e uma pilha de fuligem no chão, que eu limpei com o meu pé.
Destruir as provas. Avarias colaterais…
Eu sabia o que tinha que acontecer agora. A garota teria que vir se sentar ao meu lado e eu teria que matá-la.
Os inocentes espectadores na sala, outras dezoito crianças e um homem, não poderiam mais ter permissão de sair dessa sala, tendo visto o que eles veriam em breve.Eu enrijeci com o pensamento do que eu precisava fazer. Mesmo em meus piores dias, eu nunca havia cometido esse tipo de atrocidade. Eu nunca matei inocentes em nenhuma desses oito décadas. E agora eu planejava matar vinte deles de uma só vez.
O rosto do monstro no espelho zombou de mim.
Mesmo com parte de mim se afastando desse monstro, a outra parte estava fazendo planos.
Se eu matasse a garota primeiro, eu só teria uns quinze ou vinte segundos com ela antes que os outros humanos na sala começassem a reagir. Talvez um pouco mais de tempo, se eles não percebessem logo no início o que eu estava fazendo. Ela não teria tempo de gritar ou de sentir dor; eu não ia matá-la cruelmente. Pelo menos isso eu podia dar à essa estranha com sangue horrivelmente desejável.
Mas depois eu teria que impedi-los de escapar. Eu não precisaria me preocupar com as janelas, elas eram altas e pequenas demais para servir como escapatória pra alguém. Só a porta – a bloqueie e eles ficarão presos.
Seria mais lento e difícil tentar matar todos eles quando estivessem em pânico e se misturando, se movimentando no caos. Nada impossível, mas haveria muito mais barulho. Daria tempo para muitos gritos. Alguém poderia ouvir… e eu seria obrigado a matar ainda mais inocentes nessa hora negra.
E o sangue dela iria esfriar enquanto eu estivesse assassinando os outros.
O cheiro me castigou, fechando a minha garganta com uma dor seca…
Então seriam as testemunhas primeiro.
Eu planejei tudo na minha cabeça. Eu estaria no meio da sala, na fila mais afastada do fundo. Eu pegaria o lado direito primeiro. Eu podia morder quatro ou cinco pescoços por segundo, eu estimei. Não seria barulhento. O lado direito seria o lado de sorte; eles não iriam me ver chegando. Me movendo pra frente e pra trás até a fila esquerda iria me levar, no máximo, cinco segundos pra acabar com todas as vidas nessa sala.
Tempo o suficiente pra Bella Swan ver, brevemente, o que estava esperando por ela. Tempo o suficiente para ela sentir medo. Tempo suficiente, talvez, se o choque não a congelasse no lugar, para ela tentar gritar. O gritinho suave não faria ninguém aparecer correndo.

Eu respirei fundo, e o cheiro era como um fogo correndo nas minhas veias secas, queimando por dentro do meu peito pra consumir qualquer impulso de bondade do qual eu ainda fosse capaz.
Ela estava se virando agora. Em alguns segundos, ela se sentaria a apenas alguns centímetros de mim.
O monstro na minha cabeça sorriu com a antecipação.
Alguém fechou um fichário ao meu lado. Eu não me virei pra ver qual dos humanos predestinados havia feito isso, mas o movimento mandou uma onda de vento sem cheiro na minha direção.
Por um curto segundo, eu fui capaz de pensar com clareza. Naquele precioso segundo, eu vi dois rostos na minha cabeça, lado a lado.
Um era o meu, ou o que ele foi um dia: o monstro de olhos vermelhos que já havia matado tantas pessoas que já havia parado de contar o número. Assassinatos racionalizados, justificados. Um assassino de assassinos, um assassino de outros monstros, menos poderosos. Era um complexo de ser Deus, eu sabia disso – decidir quem merecia uma sentença de morte. Era um compromisso comigo mesmo. Eu havia me alimentado de sangue humano, mas somente humanos em sua definição mais fraca. As minhas vítimas eram, em seus violentos dias negros, tão humanos quanto eu era.
O outro rosto era o de Carlisle.
Não havia nenhuma semelhança entre os dois rostos.
Eles eram como o dia mais claro e a noite mais escura. Não havia motivo pra que houvesse uma semelhança. Carlisle não era meu pai no sentido biológico básico. Nós não tínhamos feições semelhantes. A similaridade na nossa cor era apenas por causa do que éramos; todos os vampiros tinham a mesma cor pálida como gelo. A similaridade da cor dos nossos olhos era outra coisa – uma reflexão da nossa escolha mútua.
E, mesmo assim, apesar de não haverem bases pra uma semelhança, eu havia imaginado que o meu rosto havia começado a refletir o dele, até um certo ponto, nos últimos estranhos setenta anos em que eu abracei a escolha dele e segui os seus passos. O meu rosto não havia mudado, mas para mim parecia que alguma da sabedoria dela havia marcado a minha expressão, que um pouco da compaixão dele podia ser traçada nos contornos da minha boca, e que as suas sugestões de paciência estavam evidentes nas minhas sobrancelhas.
Todas essa pequenas melhorias estavam escondidas no rosto do monstro. Em alguns instantes, não haveria mais nada que pudesse refletir os anos que eu havia passado com o meu criador, o meu mentor, o meu pai em todas as formas que se podia contar.
Meus olhos brilhariam vermelhos como os do diabo; todas as semelhanças estariam perdidas pra sempre.
Na minha cabeça, os olhos bondosos de Carlisle não me julgavam. Eu sabia que ele me perdoaria por esse terrível ato que eu iria cometer. Porque ele me amava. Porque ele pensava que eu era melhor do que eu era de verdade. E ele continuaria me amando, mesmo agora, quando eu provasse que ele estava errado.
Bella Swan se sentou ao meu lado, seus movimentos eram rígidos e estranhos – com medo? -, e o cheiro do sangue dela criou uma inexorável nuvem ao meu redor.
Eu iria provar que meu pai estava errado sobre mim. A tristeza desse fato doía quase tanto quanto o fogo na minha garganta.
Eu me afastei dela com repulsa – revoltado com o monstro implorando pra atacá-la.

Por que ela tinha que vir para cá? Por que ela tinha que existir?
Por que ela tinha que acabar com o pouco de paz que eu tinha nessa minha não-vida? Por que essa humana agravante tinha que ter nascido? Ela ia me arruinar.
Eu desviei o meu rosto pra longe dela, enquanto uma súbita fúria, um aborrecimento irracional passou por mim.
Quem era essa criatura? Por que eu, por que agora? Por que eu tinha que perder tudo só porque ela escolheu aparecer nessa cidade improvável?
Por que ela tinha que vir pra cá?!
Eu não queria ser o monstro! Eu não queria matar essa sala cheia de crianças indefesas! Eu não queria perder tudo o que eu havia conseguido com uma vida inteira de sacrifícios e negações!
Eu não faria isso. Ela não ia me obrigar.
O cheiro era o problema, o cheiro odiosamente apelativo do sangue dela. Se houvesse alguma forma de resistir… se apenas um sopro de ar fresco pudesse limpar a minha cabeça.
Bella Swan balançou os seus longos, grossos cabelos cor de mogno na minha direção.
Ela era louca? Era como se ela estivesse encorajando o monstro! Cutucando-o.
Não havia nenhuma brisa amigável pra afastar o cheiro de mim agora. Tudo estaria perdido em breve.
Não, não havia nenhuma brisa amigável. Mas eu não precisava respirar. Eu parei o fluxo de ar para os meus pulmões; o alívio foi instantâneo, mas incompleto.
Eu ainda tinha a memória do cheiro na minha cabeça, o gosto no fundo da minha língua. Eu não seria capaz de resistir por muito mais tempo. Mas talvez eu pudesse resistir por uma hora. Uma hora. Só o tempo suficiente pra sair dessa sala cheia de vítimas, vítimas que talvez não precisassem ser vítimas. Se eu pudesse resistir durante uma curta hora.
Ficar sem respirar era uma sensação desconfortável. Meu corpo não precisava de oxigênio, mas isso ia contra os meus instintos. Eu me valia desse sentido muito mais do que em qualquer outro quando estava estressado. Ele me guiava nas caças, era o primeiro a me avisar em casos de perigo.
Eu não cruzava com alguma coisa tão perigosa quanto eu com freqüência, mas a auto-preservação era tão forte na minha espécie quanto nos humanos.
Desconfortável, mas suportável. Mais suportável do que sentir o cheiro dela e não afundar os meus dentes naquela pele bonita, fina, transparente, até o quente, molhado, pulsante ?
Uma hora! Só uma hora. Eu não devo pensar no cheiro, no gosto.
A garota silenciosa manteve o cabelo dela entre nós, se inclinando para a frente até que ele se espalhou no classificador dela. Eu não conseguia ver o seu rosto para tentar ler as emoções dela através de seus olhos claros, profundos. Era por isso que ela deixava as mechas entre nós? Para esconder aqueles olhos de mim? Por medo? Timidez? Para esconder seus segredos de mim?
A minha antiga irritação por ser incapacitado pelos seus pensamentos sem som era fraca e pálida em comparação à necessidade – e ao ódio – que me possuía agora. Eu odiava essa mulher-criança ao meu lado, a odiava com todas as forças que eu devotava ao meu antigo eu, meu amor pela minha família, meus sonhos de ser melhor do que eu era… Odiá-la, odiar o que ela me fazia sentir – isso ajudou um pouco.
Eu me agarrei a qualquer emoção que me distraísse do pensamento de qual seria o gosto dela…

Ódio e irritação. Impaciência. Será que essa hora não passaria nunca? E quando essa hora terminasse… Então ela sairia dessa sala. E eu faria o quê?
Eu podia me apresentar. Olá, meu nome é Edward Cullen. Posso te acompanhar até a sua próxima aula?
Ela diria sim. Era a coisa educada a se fazer. Mesmo já sentindo medo de mim, como eu suspeitava que ela sentisse, ela iria me acompanhar convencionalmente e caminhar ao meu lado. Seria fácil o suficiente guiá-la na direção errada.
Havia um pedaço da floresta que se esticava como um dedo e tocava o estacionamento pelos fundos. Eu podia dizer a ela que havia esquecido um livro no meu carro…
Será que alguém notaria que eu fui a última pessoa com a qual ela foi vista?
Estava chovendo, como sempre; dois casacos de chuva escuros se movendo na direção errada não chamariam tanta atenção, nem me denunciariam.
A não ser pelo fato de eu não ser o único estudante que estava consciente dela hoje – apesar de nenhum estar tão devastadoramente consciente dela quanto eu. Mike Newton, em particular, estava consciente de cada movimento que ela fazia se mexendo na cadeira – ela estava desconfortável ao meu lado, assim como qualquer um estaria, assim como eu já esperava antes que o cheiro dela destruísse todos os traços de preocupação por caridade. Mike Newton repararia se ela deixasse a sala comigo.
Se eu pudesse agüentar uma hora, será que eu poderia agüentar duas? Eu vacilei com a dor da queimação.
Era iria para uma casa vazia. O chefe de polícia Swan trabalhava o dia inteiro. Eu conhecia a casa dele, assim como eu conhecia todas as casinhas da cidade. A casa dele ficava acima da encosta da floresta, sem vizinhos próximos. Mesmo se ela tivesse tempo pra gritar, e ela não teria, não haveria ninguém por perto pra ouvir.
Essa era a forma mais responsável de lidar com isso. Eu havia agüentado sete décadas sem sangue humano. Se eu segurasse a respiração, eu poderia agüentar duas horas. E quando eu a encontrasse sozinha, não haveria chances de alguém mais se machucar. E não há motivo pra apressar a experiência, o monstro em minha cabeça concordou.
Eu estava me enganando ao pensar que, salvando os dezenove humanos dessa sala com esforço e paciência, eu seria menos monstro quando matasse essa garota inocente.
Apesar de odiá-la, eu sabia que o meu ódio era injusto. Eu sabia que quem eu realmente odiava era eu mesmo. Eu odiaria a nós dois muito mais quando ela estivesse morta.
Eu consegui passar a hora desse jeito – imaginando as melhores formas de matá-la.
Eu tentei evitar pensar no ato de verdade. Isso seria demais pra mim; eu acabaria perdendo essa batalha e matando todo mundo que eu visse. Então eu planejei a estratégia e nada mais.
Isso me ajudou a passar a hora.
Uma vez, quase no final, ela olhou pra mim pela fluida parede dos seus cabelos. Eu podia sentir o ódio injustificado queimando em mim quando eu olhei nos olhos dela – eu vi a minha reflexão em seus olhos assustados. O sangue pintou suas bochechas antes que ela pudesse se esconder em seus cabelos de novo, e eu quase me desfiz.
Mas o sinal tocou. Salva pelo gongo – que clichê. Nós dois estávamos salvos. Ela, salva de sua morte. Eu, salvo por um curto período de tempo de ser a criatura de pesadelos que eu temia e não suportava.
Eu não consegui caminhar tão devagar quanto devia quando saí da sala. Se alguém estivesse olhando pra mim, poderia ter suspeitado que havia alguma coisa anormal no jeito como eu me movia. Ninguém
estava prestando atenção em mim. Todos os pensamentos humanos ainda rondavam a garota que estava condenada a morrer em pouco mais de uma hora.

Eu me escondi no meu carro.

2 comentários:

Cintia disse...

adoreeeeeeeeeeeeeei
^^

vivi disse...

por que nao continuou? estava otimo!!mas com os pensamentos de Bella tambem é maravilhoso.